terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Escravidão no Rio Grande do Sul

A presença negra e a escravidão no RS são incontestáveis. Mas os registros são precários. Além disso, surgiram mitos. E estes passam a ideia de que o tratamento dos negros no RS era melhor do que em outros estados.

Escravidão no Rio Grande do Sul
Escravidão no Rio Grande do Sul

O RS é um estado de origens europeias. E esconde a história da população negra. Mas o censo de 1745 registrava que 47% da população era negra. A benevolência vem do mito de que negros tomavam chimarrão com brancos.


A Distribuição dos Escravos
No século XVIII, algumas cidades reuniam mais escravos. Em Porto Alegre, capital da Província de São Pedro, havia maior concentração. E Rio Grande, onde se encontrava o principal porto, era o ponto de chegada de escravos.

As charqueadas deslocaram escravos para Pelotas. São Leopoldo foi o berço da colonização alemã no RS. Tornou-se vila em 1854. E documentos eclesiáticos e criminais registram a presença de escravos na antiga colônia.

Santo Amaro e Triunfo foram outras vilas que registravam a presença de escravos. Na maioria dos casos, eram pequenas escravarias: 71,11% tinham de um a cinco negros. As plantações, contudo, abrigavam mais escravos.


Falecimentos de Escravos
De 1801 a 1850, registraram-se 11.104 óbitos de escravos. A maior parte de bexiga (varíola). Na época, não havia caixões. E enterravam-se as pessoas só com as roupas. Além disso, predominava a teoria dos miasmas.

Assim, em 1850, o cemitério saiu de trás da Igreja da Matriz. E foi para a região da Azenha. Área mais alta e com maior circulação de vento na cidade de Porto Alegre. Foi a alternativa para afastar os miasmas da região central.

Gato-pingado era o indivíduo que acompanhava o carro fúnebre a pé e de tocha.

Adaptado de aula do professor Paulo Roberto Staudt Moreira
Imagem adaptada de Sindicato dos Bancários de Santos e Região

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

O Tráfico Negreiro para o RS

Os africanos que chegavam ao Brasil, quase sempre, eram homens adultos. Para evitar a reprodução. E manter o lucrativo negócio que era o tráfico negreiro. Os africanos provinham de três regiões principais:

Navio Negreiro - Rugendas (1830)
Navio Negreiro

# África Central Atlântica: Congo e Angola;
# África Ocidental: Mina, Nagô e Calabar;
# África Oriental: Moçambique.

Os negros que nasciam no Brasil eram chamados crioulos. Quanto ao Rio Grande do Sul, os escravos que chegaram ao estado predominavam de Nagô e Mina, hoje Gana. Alguns deles eram islâmicos.

Roubo de Negros no Uruguai
O Uruguai aboliu a escravidão em 1842. E por isso, o RS manteve relação de domínio com o país vizinho. Com tratados e imposições. A simples menção à Província Cisplatina ainda incomoda os uruguaios.

Francisco Pedro de Abreu, após 1845, invadia o Uruguai para roubar gado e escravos (negros livres). Na época, os EUA encontraram ouro na Califórnia. E o RS queria fazer do Uruguai a sua Califórnia.

Os Escravos no Rio Grande do Sul
O RS comprava "moleques". Estes eram negros com cerca de dez anos de idade. Eles recebiam treinamento no manejo do gado (lida campeira). Mas na época, a maioria das crianças morria até os sete anos de idade.

Havia pontos de desembarque de negros no litoral norte do RS. Um era o Capão dos Negros, hoje Capão da Canoa. Em 1852, angolanos e bantos desembarcaram nos campos e matos de Maquiné.

Manoel de Paula, o Ex-Escravo
Manoel foi um dos negros que desembarcaram em 1852. E o capitão Paula manteve-o como escravo por dois anos. Manoel fugiu e apresentou-se em Porto Alegre, onde gerou um processo.

O negro passou a trabalhar de servente na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. E adotou o nome do capitão que o manteve cativo ilegalmente. Passou a se chamar, assim, Manoel de Paula.

Adaptado de aula do professor Paulo Roberto Staudt Moreira
Imagem adaptada de Wikipedia

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Jornais do Período Farroupilha

Farroupilhas eram os exaltados, que queriam "esfarrapar a política". O termo, porém, já existia antes da guerra. Dois jornais de 1831 e um de 1832 falavam da trombeta e da matraca dos farroupilhas (exaltados, tiranos).

Jornais do Período Farroupilha (Guerra dos Farrapos)
Jornais do Período Farroupilha

Em 11 de abril de 1834, o General Lima e Silva fundou o jornal O Republicano, na Rua da Ponte, hoje Riachuelo. Mas havia outros jornais, como Eco Riograndense, O Liberal, O Noticiador, Correio Oficial, O Povo.

O Partenon Literário era republicano. E criou o mito de que os farrapos eram também republicanos.

A Batalha da Ponte da Azenha marcou o início da Guerra dos Farrapos, com a invasão de Porto Alegre. Na época, a cidade já era capital há mais de 50 anos. Curiosamente, a primeira morte foi de um jornalista, Antônio José Monteiro.

Apesar de circularem diversos jornais, pouco se noticiou a Guerra dos Farrapos. Afinal, na mesma época, os EUA roubaram 60% do território mexicano. A Califórnia tinha ouro e o Texas, petróleo. A notícia no mundo era, portanto, os EUA.  

Adaptado da aula do Professor Moacyr Flores
Imagem adaptada de BSPM.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

O Brasil Durante a Guerra dos Farrapos

A Independência do Brasil foi um golpe. Dom Pedro I proclamou-a sem a participação do povo. Ele queria ser Rei. Mas exigiram que fosse Imperador para ficar acima do Rei de Portugal. O quadro de Pedro Américo é apenas uma alegoria daquele episódio.

Cabanagem - Combate nas Ruas de Belém
Cabanagem - Combate nas Ruas de Belém

Durante a Guerra dos Farrapos (1835-45), faltavam juízes. Na Província de São Pedro, havia dois juízes. Um em Porto Alegre. E outro em Rio Grande. Na época, a província tinha 170 mil habitantes. E Porto Alegre, 2.000.

No período, ocorreram outras revoltas liberais pelo Brasil. Como a Guerra dos Farrapos era rural, durou dez anos. As demais revoltas eram urbanas e duraram menos tempo. Dentre elas, podemos destacar:
# 06/01/1835 - índios e negros do Pará deflagraram a primeira Cabanagem;
# 1840 - Revolta Liberal de Minas Gerais e São Paulo;
# 1848a 1849 - Praieira (Pernambuco).

No período imperial, a igreja fazia uma espécie de controle social. E o governo cobrava impostos para celebrar o casamento da princesa ou o velório do príncipe. Os impostos abusivos foram uma das causas das revoltas.

A família de Duque de Caxias, por exemplo, sustentava o regimento de Bragança. No caso, a Guarda Imperial. E por isso, aos cinco anos, Duque de Caxias já era cadete. Naquela época, a promoção no Exército era por graça.

Apesar da insatisfação popular, as revoltas não tiveram repercussão ampla. A Proclamação da República ocorreria só 40 anos depois. E seria fruto de um golpe militar. No regresso da Família Real para Portugal, ela saqueou o Banco do Brasil.

Adaptado da aula do Professor Moacyr Flores
Imagem adaptada de GEA Cipriano Barata

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Modelo Político dos Farrapos

Os ideais baseavam-se em John Locke, o mais importante iluminista. Com destaque ao liberalismo. Para Locke, a liberdade estava na propriedade. Por isso não se podia abolir a escravidão. O legislativo era o principal poder (parlamentarismo).

Bento Gonçalves - Série da RBS TV
Bento Gonçalves


Os iluministas eram anti-clericais. E não ateus ou anti-religião. Eles usavam lanternas para projetar imagens e educar os analfabetos. O conceito iluminista de povo, porém, misturava-se com o de propriedade.

Dentre os farrapos, Domingos José de Almeida era o mais culto.


Outras Influências Iluministas
Outro pensador que serviu de inspiração para os revolucionários farrapos foi Voltaire. Ele pregava a liberdade de expressão. Para Voltaire, o governo não poderia intervir na economia. Deveria construir escolas e estradas.

Para Montesquieu, as leis deveriam se adequar ao ambiente físico. E neste sentido, os farrapos inspiraram-se na Constituição dos EUA. Não aceitavam, porém, o equilíbrio de poderes que Montesquieu propusera.

Outros iluministas influenciaram menos os ideais farrapos. Rousseau era democrático e os farrapos liberais. Ou anti-democráticos. Já o Barão d´Holbach destacou-se por ser ateu e escrever contra a religião.


A Itália e Os Partidos Rio-grandenses
A possível inspiração italiana é um absurdo. Afinal, o movimento iniciou, aqui, antes do de Giuseppe Mazzini, na Itália. Além disso, há diversos pontos antagônicos. O lema da Jovem Itália, por exemplo, era "Deus e o povo".

O Partido Liberal surgiu em 1832, com a participação de José Alpoim, carioca que vivia em Porto Alegre. Bento Gonçalves da Silva era liberal moderado monarquista. E general Osório era liberal moderado republicano.

Bernardo Pires era maçom. Segundo historiadores, o major do exército republicano foi o criador da bandeira sul-riograndense. O vermelho na bandeira, hoje a bandeira oficial do Rio Grande do Sul, simboliza a divisão de casas.


Bento Gonçalves da Silva
Bento Gonçalves era coronel da Guarda Nacional. Joaquim Gonçalves da Silva, pai de Bento, foi Tesoureiro Geral da Província. Homem riquíssimo. Um irmão era dono de propriedade em Jaguarão. Outro, em Camaquã.

Bento Gonçalves queria que o Rio Grande do Sul fosse uma República Federalista. E as demais províncias brasileiras subordinariam-se ao RS. Com o tempo, a guerra ganhou o caráter separatista.

Havia relação próxima com o Prata. E o contrabando uniu famílias. Bento Gonçalves da Silva tinha terras no Uruguai. Juan Lavalleja propôs a junção de RS, Corrientes, Entre Rios e Uruguai. Isso formaria o quadrilátero.

Adaptado da aula do Professor Moacyr Flores

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

A Idealização dos Farrapos

A memória tende a idealizar em tom de epopeia. Assim, transformaram em herois os que lutaram contra o Império. É o caso de Tiradentes. No Rio Grande do Sul, de Bento Gonçalves da Silva e David Canabarro.


Giuseppe Garibaldi (1807-1882) - Herói ou Pilhador
Giuseppe Garibaldi: Herói ou Pilhador?

A Farroupilha foi uma guerra civil de rio-grandenses contra rio-grandenses. E depois, contra o Império. Eram guerrilheiros a cavalo, pilhadores. A análise de jornais conservadores e liberais mostra duas realidades...



O Gaúcho e os CTGs
A idealização dos farrapos gerou um produto comercial. Com gastronomia, danças e músicas vendáveis. Porém, música, arte e arquitetura genuínos são documentos. Assim como são documentos os papeis.


Oliveira Belo usou o termo "gaúcho", em 1877, em "Os Farrapos", como o monarca das coxilhas. Uma idealização. Na verdade, representava o que vagava, sem dinheiro. Mais correto é o gentílico sul-riograndense.



Os Heróis e Os Mitos
Giuseppe Garibaldi, em geral, surge como um herói. O revolucionário italiano juntou-se com Anita, mulher analfabeta e casada com sapateiro. Garibaldi pilhou Imaruí. Cegou, castrou e depois matou um padre.


A história deve desmistificar. Não se deve avaliar o herói. O que interessa é o homem. E devemos analisar pelo contexto (valores) da época. E não pelos atuais. Se usarmos valores atuais, podemos ser seletivos e idealizar.


"A Salamanca do Jarau", por exemplo, é cópia de lenda espanhola.


Na época da Guerra dos Farrapos, a degola e o estupro eram situações corriqueiras. E o adultério era passível de execução. Assim, o homem podia matar a mulher em nome da honra. Era a legítima defesa da honra.


As Mães e Os Militares
Não havia conventos, nem seminários no estado. As mulheres deveriam ser mães. E os homens, soldados. Funcionários públicos recebiam por ano. Os militares desertavam e viravam contrabandistas.

O homem que se casasse com a filha do dono da loja poderia abrir uma filial.

Adaptado da aula do Professor Moacyr Flores

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Visões Cristalizadas sobre Imigração

Certas visões cristalizaram-se na análise da imigração gaúcha. São meias-verdades. E ganharam caráter de verdades absolutas. São generalizações que facilitam a análise por simplificá-la. Mas não contam toda a história.

Trabalho de Imigrantes Japoneses em Curitiba
Trabalho de Imigrantes Japoneses

Uma divide o RS em duas partes. A metade sul é pecuarista, com latifúndios. Ali surgiu o gaúcho. Na metade norte, há a agricultura e os minifúndios. Para a metade norte, foram os imigrantes (estrangeiros).

Alguns italianos, porém, concentraram-se nas fronteiras com a Argentina e o Uruguai. A propósito: fronteira não é só contrabando e guerra. A fronteira é uma região de alto fluxo migratório, no dois sentidos (entrada e saída).

Outro mito é o de que os imigrantes eram todos pobres. Fugiram da miséria, da fome e do desemprego na Europa. Na verdade, há variações nos níveis de pobreza. Porém, a tendência é a vitimização.

Segundo estudos da UCS, muitos italianos chegaram ao Brasil com recursos. Alguns poloneses não tinham terras. Outros tinham mais de 10 hectares na Polônia. Matarazzo (SP) e Gerdau (RS) são exemplos extremos.

Há quem diga que os imigrantes eram trabalhadores, honestos, pacíficos. Boa parte. A família de William Bonner, por exemplo, descende, porém, de presidiários. Havia também casos de conflitos e brigas nas colônias.

Há ainda outras generalizações. Como a de que os alemães estabeleceram-se só na zona rural. Mas alguns ficaram em Porto Alegre. Quanto à religião, católico não casava com protestante. Mas havia exceções...

Adaptado de aula do Professor Marcos Antônio Witt
Imagem adaptada de Secretaria da Cultura de Curitiba

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Imigração e Colonização no RS

O português usou mão-de-obra escrava. Os demais imigrantes usaram em menor grau. Em especial, os alemães, que chegaram antes. Vê-se isso pela questão política. Para participar, era necessário comprovar renda. E os ricos tinham escravos.

Navio com Imigrantes Alemães
Navio com Imigrantes Alemães

Na década de 1820, a nação alemã já existia. Mas o estado da Alemanha, como hoje conhecemos, formou-se apenas em 1871. Na época, porém, documentos de Dom João VI já usavam a expressão "imigração alemã". A colônia tinha dois grandes pilares: a igreja e a escola. E o Rio dos Sinos serviu como ligação entre Porto Alegre, a capital, e São Leopoldo, o primeiro foco de colonização. A partir dali, os alemães dispersaram-se. A maior a parte, na região do Vale do Sinos. Dois grupos de alemães chegaram a Torres. Mas com a enchente do Rio Mampituba foi preciso dividir os grupos. Os católicos permaneceram em Torres. E os luteranos foram para Três Forquilhas. Hoje, o município de Dom Pedro de Alcântara, próximo a Torres. Nem todos os locais, no entanto, prosperaram. O núcleo de São João das Missões, por exemplo, desfez-se. Mas qual o melhor critério para se definir o sucesso? Demografia? Economia? Identidade ou manutenção de cultura? Os alemães chegaram ao RS, em 1824. Antes disso, aportaram em outros estados. Em 1818, fundaram as colônias de Leopoldina e de Frankental, na Bahia. Em 1818 e 1819, Nova Friburgo e Petrópolis, no Rio de Janeiro.

Pomeranos instalaram-se no Espírito Santo e em São Leopoldo.

Adaptado de aula do Professor Marcos Antônio Witt
Imagem adaptada de "História e Vestibular"

 
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