sexta-feira, 20 de julho de 2018

As Doenças que Vêm Voando

A Gripe A e o Zika são as principais doenças virais dos últimos dez anos. E ambas têm em comum a dispersão pelo transporte aéreo. Este artigo revê a história da aviação e correlaciona com a disseminação de doenças.

As Doenças que Vêm Voando - Ilustração de Jonathan Carlson
As Doenças que Vêm Voando
Ilustração de Jonathan Carlson

Henrique Helms é especialista em Regulação da ANAC, Doutor em História e ex-piloto da VARIG e da TAM. Ministrou a palestra A Aviação como Vetor de Disseminação de Enfermidades: As Doenças que Vem Voando.


Histórico
# Em 1931, os EUA identificaram a presença de mosquitos em aviões vindos do Caribe;

# Em 1943, o Brasil buscou controlar os mosquitos pela dedetização de aeronaves. Na época, havia o voo de Natal para Dacar;

# Em 1957, ocorreu o surto da Gripe Asiática, a qual ficou conhecida como Singapura. E estabeleceu-se a quarentena para as pessoas que chegassem de avião ou navio. Uma tentativa de blindar a infecção. Morreram mais de 1 milhão de pessoas. Isso ocorreu um ano antes da explosão da aviação;

# Esta iniciou em 1958, quando surgiu a PanAm. A partir de então, as linhas aéreas passaram a comunicar o mundo inteiro. Isso facilitou o transporte e, também, a transmissão de doenças;

# Em 1968, iniciou o surto da Gripe de Hong Kong.


Anos 2000
# Em 2002, um médico atendeu um paciente com SARS em hotel, na China. Transmitiu a doença a cerca de 30 pessoas no próprio hotel. No avião, um passageiro transmitiu-a para outros 20 passageiros. E estes infectaram cerca de 300 pessoas;

# No final de fevereiro de 2009, surgiram os primeiros casos de Gripe A, no México. Em abril, registrou-se o primeiro paciente nos EUA. Em maio, no Brasil. Em junho, a Gripe A era uma pandemia;

# O Zika vírus surgiu no Pacífico e disseminou-se no Brasil, em 2015, na Copa das Confederações. Os principais focos são em regiões próximas à Linha do Equador. Dessa forma, no nordeste brasileiro as infecções ocorrem o ano todo. No resto do país, vemos o mosquito quase só no verão.

A maioria das pessoas chega a Hong Kong por voos internacionais. Assim, o país serve no estudo da disseminação de infecções. Identificou-se que o papel do avião prepondera até o dia 150 após o início da transmissão. Daí em diante, a transmissão por terra é mais relevante.


A Aviação Hoje
O transporte aéreo perdeu a relação que tinha com o trabalho. Em 2016, 69% das viagens eram pessoais. A maioria com fins de turismo. E só 31% dos passageiros voavam a negócio.

Em 2017, registraram-se mais de 4 bilhões de passageiros. Isso significa mais da metade da população mundial. É claro: alguns passageiros fazem dezenas de viagens por ano. Mesmo assim, o número impressiona.

Outro número que impressiona é a capacidade do Airbus A380, avião top de linha no momento. Esta aeronave é capaz de transportar de 550 a 800 passageiros, dependendo da configuração da mesma.


Síndrome Aerotóxica
Por fim, é importante ressaltar que as doenças relacionadas à aviação não se limitam às infecção virais. A Síndrome Aerotóxica é uma realidade. Um sinal é o cheiro de óleo na cabine.

A Inglaterra foi o primeiro país a alertar sobre a Aerotoxic Syndrome. Em especial nas aeronaves Boeing 757 e Airbus A320. A Alemanha, também, mostra muita preocupação e controle com a síndrome.

terça-feira, 27 de março de 2018

Museu The Beatles

O museu é o primeiro no Brasil que se dedica a contar a história dos Beatles. É ainda o segundo da América Latina. Além do museu de Canela, só há outro na Argentina.

Museu The Beatles - Canela (RS)
Museu The Beatles, Canela

Trata-se de um museu de fã. Com curiosidades e itens incomuns. Mesmo a visitantes mais fanáticos pelo quarteto de Liverpool. A disposição do acervo está em ordem cronológica.

Assim, logo na entrada do museu, você verá retratos de George, John, Paul e Ringo ainda crianças. No mesmo ambiente, a foto dos jovens John e Paul tocando juntos.

Segue-se, então, a discografia do grupo. Com dados curiosos sobre discos, filmes, shows. E, também, sobre músicas. Como é o caso de "Yesterday".

Dentre os shows, destaque ao do Shea Stadium, do time de beisebol New York Mets, nos EUA. Ele reuniu 55 mil pessoas. O maior público de um único grupo até então.

Destaca-se, também, foi o show do Nippon Budokan, santuário de mortos da guerra do Japão. Muitos consideraram uma ofensa um grupo de rock tocar no local.

O Museu The Beatles expõe réplicas das roupas que o quarteto usou nos dois shows. Há, ainda, réplicas das roupas do filme "Help!", o primeiro do grupo.

Na parte final, há placas com dados biográficos dos integrantes. Notei a falta do texto sobre John. A recepcionista comentou que há um vídeo específico sobre ele.

São cinco ou seis vídeos ao todo. A maior parte, sobre os discos. Um deles sobre a antologia dos Beatles. E outro sobre a morte de John Lennon.

terça-feira, 20 de março de 2018

Porto Alegre após Abolição da Escravatura

A abolição da escravatura ocorreu simultaneamente à queda do Império. Na época, o escravo tinha o valor equivalente ao de 150 cabeças de gado. E os custos envolvidos na manutenção de escravos tornavam-na cara.

Abolição da Escravatura no Brasil
Abolição da Escravatura no Brasil

A Proclamação da República foi o resultado de um golpe miltar, em 1889. Dom Pedro II preparou a Princesa Isabel por muito tempo. Se, na época, ocorresse uma eleição, a Princesa muito provavelmente sairia vencedora.

Em Porto Alegre, as colônias africanas concentravam-se nos atuais bairros Rio Branco, Bonfim e Cidade Baixa.


Destaques em Porto Alegre
Aurélio Veríssimo de Bittencourt foi padrinho de africanos. Foi braço direito de Júlio de Castilhos. E depois, chefe de gabinete de Borges de Medeiros. Nasceu em Jaguarão. E era filho de mãe pardo. E neto de africanana.

O filho de Aurélio Veríssimo de Bittencourt fundou O Exemplo, em Porto Alegre. Este foi o primeiro jornal negro do RS. Em 1916, O Exemploregistrou uma publicação a pedido por ocasião da morte de Alcides de Freitas Cruz.

Freitas Cruz (1867-1916) foi deputado estadual por cinco mandatos (1897-1916). Fundou a Faculdade de Direito de Porto Alegre, onde lecionou. Ao menos em duas ocasiões, 1903 e 1913, defendeu-se de injúrias raciais.

Os avós de Alcides de Freitas Cruz nasceram em Colônia de Sacramento.

Adaptado de aula do professor Paulo Roberto Staudt Moreira
Imagem adaptada de Minas Gerais

terça-feira, 13 de março de 2018

Documentação sobre os Escravos

Em 1871, promulgou-se a Lei da Ventre Livre. A partir de então, o registro do número de matrículas de negros tornou-se detalhado. E boa parte das informações perdeu-se, anos depois, por medida de político Rui Barbosa.

Pilha de Documentos sobre Os Escravos
Documentos sobre Os Escravos

Rui Barbosa era advogado, abolicionista. E tinha uma plantação de camélias, a flor símbolo dos negros, em frente de casa. O político ordenou, no entanto, a queima de documentos do Tesouro Nacional sobre a escravidão.


Inventários e Juntas
O inventário pós-mortem (testamento) era um documento que arrolava os bens. Com ele pode-se reconstruir a história das pessoas. No inventário pós-mortem, registrava-se o número de matrícula dos escravos.

Outra fonte de dados são as juntas de emancipação. Os municípios recebiam verba para comprar escravos e conceder alforria. Em 1871, o documento passou a registrar, também, o número de matrícula dos escravos.


A Questão do Racismo
O maranhense Nina Rodrigues formou-se em Medicina, em Salvador. E era um racista mestiço. Alegou que se o negro era inferior deveria ter um código penal diferente. Pois não teria a mesma capacidade de discernimento do branco.

No caso do futebol, o racismo pós-abolição ocorria de forma implícita. Os documentos de clubes não vetavam explicitamente jogadores negros. Mas para jogar no Grêmio de Porto Alegre, era preciso "ser honesto, probo e de caráter".

Adaptado de aula do professor Paulo Roberto Staudt Moreira
Imagem adaptada de Openclipart

terça-feira, 6 de março de 2018

Os Negros Livres e Os Fugitivos

Os senhores costumavam baixar o preço dos escravos nas declarações, para pagar menos impostos. Manoel Pequeno tinha pleurisia. Isso reduzia mais seu preço. Ele aproveitou e comprou a alforria com a venda de gado.

Colagem sobre Litografias de Escravos de Johann Moritz Rugendas
Litografias de Escravos

Em 1860, Manoel Pequeno, negro livre, matou Antônio Vicente da Fontoura na Igreja Nossa Senhora da Conceição. Uma igreja de negros livres ou alforriados. A irmandade negra de Cachoeira do Sul surgira em 1812.

Alguns senhores reescravizavam negros forros. Uma forma de diferenciar os escravos dos negros livres eram os calçados. Os escravos andavam descalços. Os negros livres, no entanto, calçavam sapatos.

A escrava Isaura tinha pele clara. Por isso, chamava a atenção.


Os Escravos Fugitivos
Não havia foto de escravo que fugia. Assim, descreviam detalhadamente os escravos. Muitos iam para o Exército. Como ninguém queria ir para o Exército, a instituição não questionava a origem daquele negro.

Em geral, os escravos fugiam primeiro para o mato. Depois, eles iam para as cidades. Quem fugia era o homem adulto sem família. Afinal, as famílias não conseguiam fugir. Para manter o escravo, alguns senhores davam cabeças de gado.

Macumba era o núcleo de escravos insurgentes.

Adaptado de aula do professor Paulo Roberto Staudt Moreira
Imagem adaptada de Nexo Jornal

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Escravidão no Rio Grande do Sul

A presença negra e a escravidão no RS são incontestáveis. Mas os registros são precários. Além disso, surgiram mitos. E estes passam a ideia de que o tratamento dos negros no RS era melhor do que em outros estados.

Escravidão no Rio Grande do Sul
Escravidão no Rio Grande do Sul

O RS é um estado de origens europeias. E esconde a história da população negra. Mas o censo de 1745 registrava que 47% da população era negra. A benevolência vem do mito de que negros tomavam chimarrão com brancos.


A Distribuição dos Escravos
No século XVIII, algumas cidades reuniam mais escravos. Em Porto Alegre, capital da Província de São Pedro, havia maior concentração. E Rio Grande, onde se encontrava o principal porto, era o ponto de chegada de escravos.

As charqueadas deslocaram escravos para Pelotas. São Leopoldo foi o berço da colonização alemã no RS. Tornou-se vila em 1854. E documentos eclesiáticos e criminais registram a presença de escravos na antiga colônia.

Santo Amaro e Triunfo foram outras vilas que registravam a presença de escravos. Na maioria dos casos, eram pequenas escravarias: 71,11% tinham de um a cinco negros. As plantações, contudo, abrigavam mais escravos.


Falecimentos de Escravos
De 1801 a 1850, registraram-se 11.104 óbitos de escravos. A maior parte de bexiga (varíola). Na época, não havia caixões. E enterravam-se as pessoas só com as roupas. Além disso, predominava a teoria dos miasmas.

Assim, em 1850, o cemitério saiu de trás da Igreja da Matriz. E foi para a região da Azenha. Área mais alta e com maior circulação de vento na cidade de Porto Alegre. Foi a alternativa para afastar os miasmas da região central.

Gato-pingado era o indivíduo que acompanhava o carro fúnebre a pé e de tocha.

Adaptado de aula do professor Paulo Roberto Staudt Moreira
Imagem adaptada de Sindicato dos Bancários de Santos e Região

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

O Tráfico Negreiro para o RS

Os africanos que chegavam ao Brasil, quase sempre, eram homens adultos. Para evitar a reprodução. E manter o lucrativo negócio que era o tráfico negreiro. Os africanos provinham de três regiões principais:

Navio Negreiro - Rugendas (1830)
Navio Negreiro

# África Central Atlântica: Congo e Angola;
# África Ocidental: Mina, Nagô e Calabar;
# África Oriental: Moçambique.

Os negros que nasciam no Brasil eram chamados crioulos. Quanto ao Rio Grande do Sul, os escravos que chegaram ao estado predominavam de Nagô e Mina, hoje Gana. Alguns deles eram islâmicos.

Roubo de Negros no Uruguai
O Uruguai aboliu a escravidão em 1842. E por isso, o RS manteve relação de domínio com o país vizinho. Com tratados e imposições. A simples menção à Província Cisplatina ainda incomoda os uruguaios.

Francisco Pedro de Abreu, após 1845, invadia o Uruguai para roubar gado e escravos (negros livres). Na época, os EUA encontraram ouro na Califórnia. E o RS queria fazer do Uruguai a sua Califórnia.

Os Escravos no Rio Grande do Sul
O RS comprava "moleques". Estes eram negros com cerca de dez anos de idade. Eles recebiam treinamento no manejo do gado (lida campeira). Mas na época, a maioria das crianças morria até os sete anos de idade.

Havia pontos de desembarque de negros no litoral norte do RS. Um era o Capão dos Negros, hoje Capão da Canoa. Em 1852, angolanos e bantos desembarcaram nos campos e matos de Maquiné.

Manoel de Paula, o Ex-Escravo
Manoel foi um dos negros que desembarcaram em 1852. E o capitão Paula manteve-o como escravo por dois anos. Manoel fugiu e apresentou-se em Porto Alegre, onde gerou um processo.

O negro passou a trabalhar de servente na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. E adotou o nome do capitão que o manteve cativo ilegalmente. Passou a se chamar, assim, Manoel de Paula.

Adaptado de aula do professor Paulo Roberto Staudt Moreira
Imagem adaptada de Wikipedia

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Jornais do Período Farroupilha

Farroupilhas eram os exaltados, que queriam "esfarrapar a política". O termo, porém, já existia antes da guerra. Dois jornais de 1831 e um de 1832 falavam da trombeta e da matraca dos farroupilhas (exaltados, tiranos).

Jornais do Período Farroupilha (Guerra dos Farrapos)
Jornais do Período Farroupilha

Em 11 de abril de 1834, o General Lima e Silva fundou o jornal O Republicano, na Rua da Ponte, hoje Riachuelo. Mas havia outros jornais, como Eco Riograndense, O Liberal, O Noticiador, Correio Oficial, O Povo.

O Partenon Literário era republicano. E criou o mito de que os farrapos eram também republicanos.

A Batalha da Ponte da Azenha marcou o início da Guerra dos Farrapos, com a invasão de Porto Alegre. Na época, a cidade já era capital há mais de 50 anos. Curiosamente, a primeira morte foi de um jornalista, Antônio José Monteiro.

Apesar de circularem diversos jornais, pouco se noticiou a Guerra dos Farrapos. Afinal, na mesma época, os EUA roubaram 60% do território mexicano. A Califórnia tinha ouro e o Texas, petróleo. A notícia no mundo era, portanto, os EUA.  

Adaptado da aula do Professor Moacyr Flores
Imagem adaptada de BSPM.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

O Brasil Durante a Guerra dos Farrapos

A Independência do Brasil foi um golpe. Dom Pedro I proclamou-a sem a participação do povo. Ele queria ser Rei. Mas exigiram que fosse Imperador para ficar acima do Rei de Portugal. O quadro de Pedro Américo é apenas uma alegoria daquele episódio.

Cabanagem - Combate nas Ruas de Belém
Cabanagem - Combate nas Ruas de Belém

Durante a Guerra dos Farrapos (1835-45), faltavam juízes. Na Província de São Pedro, havia dois juízes. Um em Porto Alegre. E outro em Rio Grande. Na época, a província tinha 170 mil habitantes. E Porto Alegre, 2.000.

No período, ocorreram outras revoltas liberais pelo Brasil. Como a Guerra dos Farrapos era rural, durou dez anos. As demais revoltas eram urbanas e duraram menos tempo. Dentre elas, podemos destacar:
# 06/01/1835 - índios e negros do Pará deflagraram a primeira Cabanagem;
# 1840 - Revolta Liberal de Minas Gerais e São Paulo;
# 1848a 1849 - Praieira (Pernambuco).

No período imperial, a igreja fazia uma espécie de controle social. E o governo cobrava impostos para celebrar o casamento da princesa ou o velório do príncipe. Os impostos abusivos foram uma das causas das revoltas.

A família de Duque de Caxias, por exemplo, sustentava o regimento de Bragança. No caso, a Guarda Imperial. E por isso, aos cinco anos, Duque de Caxias já era cadete. Naquela época, a promoção no Exército era por graça.

Apesar da insatisfação popular, as revoltas não tiveram repercussão ampla. A Proclamação da República ocorreria só 40 anos depois. E seria fruto de um golpe militar. No regresso da Família Real para Portugal, ela saqueou o Banco do Brasil.

Adaptado da aula do Professor Moacyr Flores
Imagem adaptada de GEA Cipriano Barata

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Modelo Político dos Farrapos

Os ideais baseavam-se em John Locke, o mais importante iluminista. Com destaque ao liberalismo. Para Locke, a liberdade estava na propriedade. Por isso não se podia abolir a escravidão. O legislativo era o principal poder (parlamentarismo).

Bento Gonçalves - Série da RBS TV
Bento Gonçalves


Os iluministas eram anti-clericais. E não ateus ou anti-religião. Eles usavam lanternas para projetar imagens e educar os analfabetos. O conceito iluminista de povo, porém, misturava-se com o de propriedade.

Dentre os farrapos, Domingos José de Almeida era o mais culto.


Outras Influências Iluministas
Outro pensador que serviu de inspiração para os revolucionários farrapos foi Voltaire. Ele pregava a liberdade de expressão. Para Voltaire, o governo não poderia intervir na economia. Deveria construir escolas e estradas.

Para Montesquieu, as leis deveriam se adequar ao ambiente físico. E neste sentido, os farrapos inspiraram-se na Constituição dos EUA. Não aceitavam, porém, o equilíbrio de poderes que Montesquieu propusera.

Outros iluministas influenciaram menos os ideais farrapos. Rousseau era democrático e os farrapos liberais. Ou anti-democráticos. Já o Barão d´Holbach destacou-se por ser ateu e escrever contra a religião.


A Itália e Os Partidos Rio-grandenses
A possível inspiração italiana é um absurdo. Afinal, o movimento iniciou, aqui, antes do de Giuseppe Mazzini, na Itália. Além disso, há diversos pontos antagônicos. O lema da Jovem Itália, por exemplo, era "Deus e o povo".

O Partido Liberal surgiu em 1832, com a participação de José Alpoim, carioca que vivia em Porto Alegre. Bento Gonçalves da Silva era liberal moderado monarquista. E general Osório era liberal moderado republicano.

Bernardo Pires era maçom. Segundo historiadores, o major do exército republicano foi o criador da bandeira sul-riograndense. O vermelho na bandeira, hoje a bandeira oficial do Rio Grande do Sul, simboliza a divisão de casas.


Bento Gonçalves da Silva
Bento Gonçalves era coronel da Guarda Nacional. Joaquim Gonçalves da Silva, pai de Bento, foi Tesoureiro Geral da Província. Homem riquíssimo. Um irmão era dono de propriedade em Jaguarão. Outro, em Camaquã.

Bento Gonçalves queria que o Rio Grande do Sul fosse uma República Federalista. E as demais províncias brasileiras subordinariam-se ao RS. Com o tempo, a guerra ganhou o caráter separatista.

Havia relação próxima com o Prata. E o contrabando uniu famílias. Bento Gonçalves da Silva tinha terras no Uruguai. Juan Lavalleja propôs a junção de RS, Corrientes, Entre Rios e Uruguai. Isso formaria o quadrilátero.

Adaptado da aula do Professor Moacyr Flores

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

A Idealização dos Farrapos

A memória tende a idealizar em tom de epopeia. Assim, transformaram em herois os que lutaram contra o Império. É o caso de Tiradentes. No Rio Grande do Sul, de Bento Gonçalves da Silva e David Canabarro.


Giuseppe Garibaldi (1807-1882) - Herói ou Pilhador
Giuseppe Garibaldi: Herói ou Pilhador?

A Farroupilha foi uma guerra civil de rio-grandenses contra rio-grandenses. E depois, contra o Império. Eram guerrilheiros a cavalo, pilhadores. A análise de jornais conservadores e liberais mostra duas realidades...



O Gaúcho e os CTGs
A idealização dos farrapos gerou um produto comercial. Com gastronomia, danças e músicas vendáveis. Porém, música, arte e arquitetura genuínos são documentos. Assim como são documentos os papeis.


Oliveira Belo usou o termo "gaúcho", em 1877, em "Os Farrapos", como o monarca das coxilhas. Uma idealização. Na verdade, representava o que vagava, sem dinheiro. Mais correto é o gentílico sul-riograndense.



Os Heróis e Os Mitos
Giuseppe Garibaldi, em geral, surge como um herói. O revolucionário italiano juntou-se com Anita, mulher analfabeta e casada com sapateiro. Garibaldi pilhou Imaruí. Cegou, castrou e depois matou um padre.


A história deve desmistificar. Não se deve avaliar o herói. O que interessa é o homem. E devemos analisar pelo contexto (valores) da época. E não pelos atuais. Se usarmos valores atuais, podemos ser seletivos e idealizar.


"A Salamanca do Jarau", por exemplo, é cópia de lenda espanhola.


Na época da Guerra dos Farrapos, a degola e o estupro eram situações corriqueiras. E o adultério era passível de execução. Assim, o homem podia matar a mulher em nome da honra. Era a legítima defesa da honra.


As Mães e Os Militares
Não havia conventos, nem seminários no estado. As mulheres deveriam ser mães. E os homens, soldados. Funcionários públicos recebiam por ano. Os militares desertavam e viravam contrabandistas.

O homem que se casasse com a filha do dono da loja poderia abrir uma filial.

Adaptado da aula do Professor Moacyr Flores

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Visões Cristalizadas sobre Imigração

Certas visões cristalizaram-se na análise da imigração gaúcha. São meias-verdades. E ganharam caráter de verdades absolutas. São generalizações que facilitam a análise por simplificá-la. Mas não contam toda a história.

Trabalho de Imigrantes Japoneses em Curitiba
Trabalho de Imigrantes Japoneses

Uma divide o RS em duas partes. A metade sul é pecuarista, com latifúndios. Ali surgiu o gaúcho. Na metade norte, há a agricultura e os minifúndios. Para a metade norte, foram os imigrantes (estrangeiros).

Alguns italianos, porém, concentraram-se nas fronteiras com a Argentina e o Uruguai. A propósito: fronteira não é só contrabando e guerra. A fronteira é uma região de alto fluxo migratório, no dois sentidos (entrada e saída).

Outro mito é o de que os imigrantes eram todos pobres. Fugiram da miséria, da fome e do desemprego na Europa. Na verdade, há variações nos níveis de pobreza. Porém, a tendência é a vitimização.

Segundo estudos da UCS, muitos italianos chegaram ao Brasil com recursos. Alguns poloneses não tinham terras. Outros tinham mais de 10 hectares na Polônia. Matarazzo (SP) e Gerdau (RS) são exemplos extremos.

Há quem diga que os imigrantes eram trabalhadores, honestos, pacíficos. Boa parte. A família de William Bonner, por exemplo, descende, porém, de presidiários. Havia também casos de conflitos e brigas nas colônias.

Há ainda outras generalizações. Como a de que os alemães estabeleceram-se só na zona rural. Mas alguns ficaram em Porto Alegre. Quanto à religião, católico não casava com protestante. Mas havia exceções...

Adaptado de aula do Professor Marcos Antônio Witt
Imagem adaptada de Secretaria da Cultura de Curitiba

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Imigração e Colonização no RS

O português usou mão-de-obra escrava. Os demais imigrantes usaram em menor grau. Em especial, os alemães, que chegaram antes. Vê-se isso pela questão política. Para participar, era necessário comprovar renda. E os ricos tinham escravos.

Navio com Imigrantes Alemães
Navio com Imigrantes Alemães

Na década de 1820, a nação alemã já existia. Mas o estado da Alemanha, como hoje conhecemos, formou-se apenas em 1871. Na época, porém, documentos de Dom João VI já usavam a expressão "imigração alemã". A colônia tinha dois grandes pilares: a igreja e a escola. E o Rio dos Sinos serviu como ligação entre Porto Alegre, a capital, e São Leopoldo, o primeiro foco de colonização. A partir dali, os alemães dispersaram-se. A maior a parte, na região do Vale do Sinos. Dois grupos de alemães chegaram a Torres. Mas com a enchente do Rio Mampituba foi preciso dividir os grupos. Os católicos permaneceram em Torres. E os luteranos foram para Três Forquilhas. Hoje, o município de Dom Pedro de Alcântara, próximo a Torres. Nem todos os locais, no entanto, prosperaram. O núcleo de São João das Missões, por exemplo, desfez-se. Mas qual o melhor critério para se definir o sucesso? Demografia? Economia? Identidade ou manutenção de cultura? Os alemães chegaram ao RS, em 1824. Antes disso, aportaram em outros estados. Em 1818, fundaram as colônias de Leopoldina e de Frankental, na Bahia. Em 1818 e 1819, Nova Friburgo e Petrópolis, no Rio de Janeiro.

Pomeranos instalaram-se no Espírito Santo e em São Leopoldo.

Adaptado de aula do Professor Marcos Antônio Witt
Imagem adaptada de "História e Vestibular"

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Historiografia e Rio Grande do Sul

Há três grupos principais de indivíduos que contam ou registram a história. E no caso do Rio Grande do Sul, podemos observar os três tipos. São eles: os memorialistas, os clássicos e os acadêmicos.

Historiografia e Rio Grande do Sul
Historiografia e Rio Grande do Sul

Os memorialistas ou municipalistas criam a narrativa romântica e elogiosa. Algo como: "Todos os italianos passaram por naufrágios". Na verdade, foram três ou quatro. Mas a ideia de vários torna a história épica.

Os historiadores clássicos produziram obras fundamentais de décadas atrás. A obra de Jan Rosche, em dois tomos, até certo ponto, era isenta. Já Aurélio Porto retratou o trabalho dos alemães de forma elogiosa e laudatória.

Cada vez mais, aumenta a investigação histórica em ambiente acadêmico. Teses de mestrandos e doutorandos proporcionam visão mais documental da história. Surgem, também, trabalhos investigativos não-acadêmicos.

Há dois textos de pesquisadoras dos anos 1980 que relacionam a imigração com a escravidão. Uma da PUC. A outra da UFRGS/Unisinos. Há pinturas de Pedro Weingärter sobre este tema, também.

Duas linhas investigativas exemplificam as pesquisas atuais. Uma relaciona a imigração com a questão ambiental. Como o custo dos desmatamentos. Outra linha foca na micro-história, com trajetórias, biografias, redes.

Adaptado de aula do Professor Marcos Antônio Witt
Imagem adaptada de Conceitos

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

O Processo de Urbanização do RS

O drama português para manter o território brasileiro foi impactante. Afinal, Portugal é um país pequeno em relação ao Brasil. E precisava cuidar para não despovoar seu território, na Europa, ao povoar o Brasil. 

Divisão do Brasil pelo Tratado de Tordesilhas
Divisão do Brasil pelo Tratado de Tordesilhas

Mesmo assim, os portugueses dobraram a área do Tratado de Tordesilhas. E quando propuseram o Uti posidetis, sabiam dos bandeirantes em território espanhol. Foi uma "rasteira". Um "golpe diplomático" incrível...

1640
Fim da União das Coroas Ibéricas

1647
Iniciam as aulas de fortificação e arquitetura militar. Até então, engenheiros eram estrangeiros. A maioria vinha da Itália.

1703
Pelo Caminho do Mar, levava-se o gado até Minas Gerais. Ali, surgiram as sesmarias, em território espanhol. A primeira vertente de povoamento no atual RS. Era civil, rural e terrestre. A concessão de sesmarias foi uma das armas de conquista de território português (Uti possidetis).

1721
Francisco de Brito Peixoto veio de Laguna para fundar povoados no atual RS.

1728
Rei de Portugal decidiu fundar colônia no RS.

1729
Concessão de sesmarias no atual RS. Enquanto os espanhóis fundavam cidades, os portugueses distribuíam terras (sesmarias).

1736
José da Silva Paes tinha três metas:
1. Levantar o bloqueio de Colônia de Sacramento;
2. Desalojar os espanhóis de Montevidéu;
3. Fundar uma colônia na parte sul da Província de São Pedro.

1737
Em 19 de fevereiro, José Silva Paes fundou o Forte Jesus-Maria-José, atual cidade de Rio Grande.

1747
Carta Régia de Rio Grande, em 17 de julho. O modelo foi a Carta Régia de criação da vila de Aracati, no Ceará, em abril de 1747. A vila cearense explorava o couro e tinha um porto, tal qual Rio Grande.

Em 09 de agosto, a Provisão Régia ordenava o transporte de casais de açorianos. Ali, via-se o primeiro modelo português de cidade. Porém, um desenho de 1776, mostra que não se seguiu nada do que previa o modelo.

1750
Tratado de Madri. A região das missões foi a única que não respeitou o Uti possidetis. Isso levou à Guerra Guaranítica, que iniciou a segunda vertente de povoamento. Esta era militar, urbana e fluvial. Com destaque para Santo Amaro e Triunfo.

1751
Instalação da Câmara de Rio Grande.

1763
Invasão Espanhola de Rio Grande e fuga dos vereadores para Viamão. De 1763 até 1809, a Câmara de Rio Grande foi itinerante. Passou por Viamão e Porto Alegre.

1764
Fundou-se São José do Tebiquari (Taquari). Com ruas retas, duas praças (separação de poderes - religioso e político-administrativo). Uma cidade uniforme, com casas de fachada idêntica. O modelo iluminista de engenharia militar.

Os espanhóis queriam separar as praças para dar ênfase à Igreja. O modelo espanhol representava uma concepção anterior ao iluminismo.

1774
Fundação de Santo Amaro.

1809
Quatro municípios. Neste ano, Porto Alegre tornou-se vila (município). A data que se usa para o aniversário da cidade é a constiuição da freguesia. Mas freguesia era uma instância administrativa da Igreja. Na época, unida ao Estado.

Vila equivale, hoje, ao município. No Brasil, vila era a sede do distrito. E no conceito português, era sede do município. Assim, elevar à vila era emancipar, com o aval do rei. A vila devia ter certo número de vereadores. Mas não se definia o traçado.

1810
Instalação das Câmaras. A primeira que enviou ofício para o Rio de Janeiro foi Porto Alegre, em 18 de dezembro.

Adaptado da aula do Professor Luiz Fernando Rhoden
Imagem adaptada de Pinterest.

 
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