sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Surgimento e Evolução da AIDS no RS

Em 2016, no Dia Mundial de Luta contra AIDS, publiquei artigo que relembrava famosas vítimas da doença. Este ano, registro parte da história da AIDS no Brasil. E em especial, no estado do Rio Grande do Sul.

Dia Mundial de Luta contra AIDS
Dia Mundial de Luta contra AIDS

Este artigo é uma adaptação de palestra homônima do professor Jair Ferreira. Titular de Epidemiologia da UFRGS. E segue a cronologia de eventos que se relacionam ao controle de DST e, posteriormente, da AIDS, no RS.

1920 - O programa “Saúde nas Fronteiras” inicia o controle de DST no RS.

1944 - Surgem as primeiras normas técnicas relativas ao controle de DST.

1972 - As unidades de saúde passam a notificar DST.

1979 - Surgem os programas educativos. Com fotos de casos da enfermaria 5, da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Foi a primeira campanha com imagens explícitas. No mesmo ano, lançaram “Amor sem Dor”. Filme em Super-8, que Moacyr Scliar revisou o texto.


Picos de Gonorreia nos EUA
Os dados apontam os momentos históricos em que se observaram ambientes propícios à disseminação de DST. Após a Segunda Guerra Mundial, houve um pico de gonorreia. Nos anos 1960 e 1970, houve outro.

Pode-se relacionar este segundo pico ao advento da pílula anticoncepcional. À difusão de meios de comunicação. Ao crescimento de cidades. Enfim, este era o ambiente favorável à disseminação da AIDS.

A introdução do vírus HIV ocorreu por volta de 1970. E a provável entrada foi o Haiti, um paraíso de homossexuais norteamericanos. Por volta de 1978, o HIV disseminou-se. Nos anos 90, o medo da AIDS levou a uma queda da gonorreia…


A AIDS no Brasil e no RS
A primeira notificação no Brasil, ocorreu em São Paulo, em 1982. Posteriormente, houve o registro retrospectivo de um caso de AIDS, no Rio de Janeiro, em 1980. No Rio Grande do Sul, a primeira notificação ocorreu em 30/12/1983.

Na ocasião, faleceu um homem no Hospital Vila Nova, em Porto Alegre. Com indícios que apontavam a AIDS como causa. Mas havia um paciente ainda vivo no Hospital Partenon. E este caso vazou na mídia no início de 1984.

Tudo, na época, sugeria um vírus. O comportamento da doença é similar ao da hepatite. Homessexuais e usuários de drogas injetáveis compunham o grupo de risco. A suspeita confirmou-se com a descoberta do vírus no Laboratório Pasteur.


1984 - Adota-se a ficha de notificação de São Paulo, que já tinha dezenas de casos.

1985 - Carlos Gerbase, irmão do médico Antônio Gerbase, dirige o filme “A Roleta”. No mesmo, introduzem-se os primeiros testes. Com predomínio de casos em hemofílicos.

1986 - O médico Matias Kronfeld inaugura o primeiro serviço especializado. Ele ficava no 6o andar sul do HCPA. Na época, os paciente morriam em menos de um ano.

1987 - O RS é o primeiro estado a estabelecer por lei o teste em doadores de sangue. A lista de sangue contaminado, para outras doenças, já havia desde 1977. Em 1987, surge o AZT, inibidor da transcriptase reversa. E a atriz Irene Ravache participa de campanha pela uso de preservativo.

1988 - Inaugura-se o Centro de Orientação e Apoio Sorológico, pioneiro no Brasil. E o 1o de dezembro torna-se o Dia Mundial de Luta contra a AIDS. No RS, há um paciente vivo com diagnóstico de HIV em janeiro de 1988. Mas o período de 1988 a 1995, destacou-se pela morte de famosos e pelos filmes, como “Filadélfia”.

1989 - Surge o GAPA (Grupo de Apoio e Prevenção da AIDS), parceria com o governo do estado do Rio Grande do Sul.

1994 - Empréstimo do Banco Mundial.

1996 - No Congresso Mundial de AIDS, em Vancouver, Canadá, divulga-se o “coquetel”. Os pesquisadores interromperam o estudo. Afinal, em um grupo as pessoas morriam e, no outro, sobreviviam. Em 13/11/1996, o governo brasileiro contraria a OMS. E passa a oferecer o “coquetel”. O resultado foi tremendo.


O HIV no RS
Hoje, observamos uma queda na letalidade e na transmissão vertical. Esta, no início, era de 30%. No momento, quase zerou. Porém, não houve queda de incidência dos casos de HIV. E a prevalência aumentou.

O RS é o estado com maior incidência de HIV. E as cidades com maior incidência de HIV no Brasil são Porto Alegre, Alvorada e Rio Grande. Há duas razões: maior penetração do vírus C (mais infectivo). E entrada tardia do crack.

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