segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Organização das Missões Jesuíticas

Formaram-se 30 povos, com 60 missioneiros jesuítas e 130 mil índios. Algumas missões chegaram a 7.000 habitantes. Raras cidades espanholas tinham uma população dessa magnitude, na época.

Mapa Esquemático de Uma Missão (Redução) Jesuítica
Mapa Esquemático de Uma Missão Jesuítica

Cada missão ficava de 20 a 30 km da missão seguinte. E havia diversas dúvidas: Como construir uma cidade com guaranis? Com pessoas que ainda viviam na pré-história, no neolítico? Como convencê-los a ruas e prédios?

Os guaranis deram um salto das aldeias neolíticas para os povoados missioneiros. Tais povoados representavam cidades periféricas dos impérios espanhol e português. E eles pouco tinham em comum com Madri e Lisboa.

Na Idade Moderna, os missioneiros combinaram as ideias das taba com as das cidades espanholas. As tabas eram aldeias de horticultores, de organização circular. Os índios plantavam abacaxi, abóbora, batata, pimentão, tomate.

Os jesuítas trouxeram a ideia das quintas. Horta ou plantação de alimentos e plantas medicinais. Cercavam para os animais não entraram. Já os pomares concentravam as árvores frutíferas.

E as cidades coloniais, como Buenos Aires, Montevidéu e Salvador seguiam um padrão. Com Plaza Mayor. Ruas em ângulos retos. Muros ao redor. Forte na entrada. E a Plaza Mayor já aparecia em projetos gregos e romanos.

O professor Arno citou como exemplo o Plaza Mayor de Madri.

O Cabildo de Buenos Aires e a Igreja de Mendoza são marcos arquitetônicos. Primoli foi o responsável pelo projeto do Cabildo de Buenos Aires. E os jesuítas trouxeram Primoli para projetar a igreja de São Miguel.

Mas São Miguel e San Ignacio Mini fugiram à regra. As outras reduções não tiveram o projeto de arquiteto. As casas eram indígenas. As praças, característica medieval, retornaram no renascimento. E tudo direcionava para a igreja e o altar-mor.

A igreja era o elemento mais importante. Era retangular e não em forma de cruz. Com interior despojado. O maneirismo pregava a ausência de decoração. Para não desviar a atenção dos fiéis. O foco devia ser a religião, não a decoração.

O claustro era o espaço fechado dos padres. E a torre da igreja abrigava o sino, um sinal de alarme para incêndio ou ataques. No entanto, a função principal era mostrar a compartimentação do tempo. Organizar o tempo.

A lógica dos guaranis era a mudança do comportamento ao longo das estações. Sepp tinha a lógica do alemão. E os índios não se adequavam a ela. A divisão do tempo ao longo do dia era algo inconcebível aos guaranis.

Para o guarani, o sol era a vida, a luz, as cores. A noite é a morte. Os jesuítas, então, projetaram as igrejas para o norte. Com as laterais voltadas para o sol. Para o guarani o paraíso ficava na direção do sol...

Nas culturas asteca, maia e inca, apenas o sacerdote entrava no templo. O conceito de eclésia ("a comunidade participa") pertencia ao cristianismo. As igrejas de madeira, porém, conviviam com o constante risco de incêndio.

Por este mesmo motivo, os guaranis não cozinhavam dentro da casa. Também de madeira. Já as ferramentas eram de pedra. E os homens usavam-nas no trabalho braçal. Já as mulheres eram as responsáveis pelas plantações.

Elas plantavam, pois, conforme a cultura indígena, tinham o dom de dar a vida. E os índios não conheciam os pais biológicos. Porém eles sabiam que as índias traziam as crianças ao mundo. E colocavam três grãos de milho na terra e o pé de milho crescia.

Enfim, os guaranis cederam. E aceitaram trabalhar até três dias com o arado...

O porão ou adega era um local seco e frio. Servia para conservar alimentos perecíveis. Havia ainda as oficinas (artesania, cerâmica, ferraria, metalurgia).

No cemitério, enterravam os índios. Assim, não se depositavam mais os guaranis em igaçabas, em posição fetal. Os corpos dos jesuítas ficavam dentro da igreja.

O cotiguaçu ou "casa das mulheres" abrigava viúvas e órfãos. Era a única construção com pátio interno. As mulheres plantavam o algodão e teciam. Os tecidos destinavam-se, também, ao mercado externo (exportação).

Havia diversas outras estruturas ao redor dos povoados missioneiros. As vacarias, por exemplo, ficavam mais distantes que as estâncias.

Adaptado da aula “As Missões Jesuíticas Coloniais na Região Platina” e da palestra “Guaranização e Europização nas Missões Jesuítas do Rio da Prata”, do Historiador e Professor Arno Kern.
Imagem adaptada de Bilac Quintos Anos

0 comentários:

Postar um comentário

 
Free Host | new york lasik surgery | cpa website design