sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

O Legado dos Índios Guaranis

Os guaranis deixaram um vasto legado. Na alimentação, temos a abóbora, o aipim, a batata. Na cerâmica, desenhos coloridos, panelas, pratos, urnas funerárias. Dentre as fibras vegetais, destaque ao algodão, que servia para a tecelagem. Por fim, havia o tabaco, que os indígenas usavam em cachimbos.

Cerâmica Indígena, Xapuri
Cerâmica Indígena


A Erva-Mate
A erva-mate só existia no Rio da Prata. E caracteriza-se pela grande dose de cafeína. Chocolate, milho, mandioca, tabaco, tomate são nativos da América do Sul. E tiveram aceitação mundial. A erva-mate restringiu-se ao comércio interno platino.

A erva-mate desenvolvia-se no intestino dos animais. Os padres jesuítas descobriram o sistema. Assim, aqueciam a semente na água e semeavam. E com este método, eles criaram plantações de erva-mate.

A ideia dos jesuítas era por fim às orgias guaranis, regadas a bebidas fermentadas de milho ou aipim. A popularização da erva-mate, porém, descontentou os caciques. Eles detinham o monopólio da erva, até então.


Curiosidades Alimentares
+ O milho não um cereal natural. É fruto do cruzamento de vegetais distintos;
+ A polenta e o tomate, pratos italianos típicos, são originais da América;
+ Já a banana não é nativa daqui: veio do Pacífico para a América;
+ A maior causa de morte eram as doenças para as quais não havia imunidade.


Curiosidades Musicais
O padre Anton Von Sepp encomendou músicas na Europa. E Domenico Zipoli deixou a Itália, após uma desilusão amorosa. E compôs ótimas obras aqui. Ensinava os índios a construir instrumentos e a tocar.

O padre Anton Von Sepp tinha, porém, uma grande dificuldade: manter o coral de 40 pessoas! Afinal todos os índios queriam cantar...

Na dança e na música, boa parte das informações perdeu-se. Mas na Bolívia, ainda há as chiquitanias (chiquitos). E em 1972, descobriram-se 10 mil partituras. Com 23 concertos de Domenico Zipoli.

Adaptado da aula “As Missões Jesuíticas Coloniais na Região Platina” e da palestra “Guaranização e Europização nas Missões Jesuítas do Rio da Prata”, do Historiador e Professor Arno Kern.
Imagem adaptada de Xapuri

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

A Crise dos Povoados Missioneiros

O Tratado de Madri (1750) marcou a crise que levou ao fim das missões. Alexandre de Gusmão, brasileiro, elaborou o princípio do uti possidetis. Este previa que quem de fato ocupa um território possui direito sobre ele.

Sepé Tiaraju lidera os índios guaranis
Sepé Tiaraju lidera os índios guaranis

A própria Companhia de Jesus enviou emissários à região dos povoados missioneiros. Entre eles, o padre Lopes Luís Altamirando. E o jesuíta, seguindo as orientações, fica ao lado dos portugueses e dos espanhóis.

Os índios não aceitaram o acerto entre as coroas espanhola e portuguesa. Rebelaram-se. Sepé Tiaraju organizou a resistência. A Batalha do Caiboaté foi a mais importante da Guerra Guaranítica.

Nesta batalha, morreram 1.700 guaranis. Os índios lutavam no "corpo a corpo". Já os espanhóis e os portugueses tinham exércitos organizados. E enquanto alguns soldados atiravam, outros carregavam as armas.

Após a guerra, portugueses instalaram-se em Santo Ângelo. Espanhóis, em São João Batista.

Adaptado da aula “As Missões Jesuíticas Coloniais na Região Platina” e da palestra “Guaranização e Europização nas Missões Jesuítas do Rio da Prata”, do Historiador e Professor Arno Kern.
Imagem adaptada de Zig Zag Quadrinhos.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Organização das Missões Jesuíticas

Formaram-se 30 povos, com 60 missioneiros jesuítas e 130 mil índios. Algumas missões chegaram a 7.000 habitantes. Raras cidades espanholas tinham uma população dessa magnitude, na época.

Mapa Esquemático de Uma Missão (Redução) Jesuítica
Mapa Esquemático de Uma Missão Jesuítica

Cada missão ficava de 20 a 30 km da missão seguinte. E havia diversas dúvidas: Como construir uma cidade com guaranis? Com pessoas que ainda viviam na pré-história, no neolítico? Como convencê-los a ruas e prédios?

Os guaranis deram um salto das aldeias neolíticas para os povoados missioneiros. Tais povoados representavam cidades periféricas dos impérios espanhol e português. E eles pouco tinham em comum com Madri e Lisboa.

Na Idade Moderna, os missioneiros combinaram as ideias das taba com as das cidades espanholas. As tabas eram aldeias de horticultores, de organização circular. Os índios plantavam abacaxi, abóbora, batata, pimentão, tomate.

Os jesuítas trouxeram a ideia das quintas. Horta ou plantação de alimentos e plantas medicinais. Cercavam para os animais não entraram. Já os pomares concentravam as árvores frutíferas.

E as cidades coloniais, como Buenos Aires, Montevidéu e Salvador seguiam um padrão. Com Plaza Mayor. Ruas em ângulos retos. Muros ao redor. Forte na entrada. E a Plaza Mayor já aparecia em projetos gregos e romanos.

O professor Arno citou como exemplo o Plaza Mayor de Madri.

O Cabildo de Buenos Aires e a Igreja de Mendoza são marcos arquitetônicos. Primoli foi o responsável pelo projeto do Cabildo de Buenos Aires. E os jesuítas trouxeram Primoli para projetar a igreja de São Miguel.

Mas São Miguel e San Ignacio Mini fugiram à regra. As outras reduções não tiveram o projeto de arquiteto. As casas eram indígenas. As praças, característica medieval, retornaram no renascimento. E tudo direcionava para a igreja e o altar-mor.

A igreja era o elemento mais importante. Era retangular e não em forma de cruz. Com interior despojado. O maneirismo pregava a ausência de decoração. Para não desviar a atenção dos fiéis. O foco devia ser a religião, não a decoração.

O claustro era o espaço fechado dos padres. E a torre da igreja abrigava o sino, um sinal de alarme para incêndio ou ataques. No entanto, a função principal era mostrar a compartimentação do tempo. Organizar o tempo.

A lógica dos guaranis era a mudança do comportamento ao longo das estações. Sepp tinha a lógica do alemão. E os índios não se adequavam a ela. A divisão do tempo ao longo do dia era algo inconcebível aos guaranis.

Para o guarani, o sol era a vida, a luz, as cores. A noite é a morte. Os jesuítas, então, projetaram as igrejas para o norte. Com as laterais voltadas para o sol. Para o guarani o paraíso ficava na direção do sol...

Nas culturas asteca, maia e inca, apenas o sacerdote entrava no templo. O conceito de eclésia ("a comunidade participa") pertencia ao cristianismo. As igrejas de madeira, porém, conviviam com o constante risco de incêndio.

Por este mesmo motivo, os guaranis não cozinhavam dentro da casa. Também de madeira. Já as ferramentas eram de pedra. E os homens usavam-nas no trabalho braçal. Já as mulheres eram as responsáveis pelas plantações.

Elas plantavam, pois, conforme a cultura indígena, tinham o dom de dar a vida. E os índios não conheciam os pais biológicos. Porém eles sabiam que as índias traziam as crianças ao mundo. E colocavam três grãos de milho na terra e o pé de milho crescia.

Enfim, os guaranis cederam. E aceitaram trabalhar até três dias com o arado...

O porão ou adega era um local seco e frio. Servia para conservar alimentos perecíveis. Havia ainda as oficinas (artesania, cerâmica, ferraria, metalurgia).

No cemitério, enterravam os índios. Assim, não se depositavam mais os guaranis em igaçabas, em posição fetal. Os corpos dos jesuítas ficavam dentro da igreja.

O cotiguaçu ou "casa das mulheres" abrigava viúvas e órfãos. Era a única construção com pátio interno. As mulheres plantavam o algodão e teciam. Os tecidos destinavam-se, também, ao mercado externo (exportação).

Havia diversas outras estruturas ao redor dos povoados missioneiros. As vacarias, por exemplo, ficavam mais distantes que as estâncias.

Adaptado da aula “As Missões Jesuíticas Coloniais na Região Platina” e da palestra “Guaranização e Europização nas Missões Jesuítas do Rio da Prata”, do Historiador e Professor Arno Kern.
Imagem adaptada de Bilac Quintos Anos

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Chegada dos Europeus no Brasil

Quando os jesuítas espanhóis chegaram ao Rio da Prata, os portugueses já estavam a mais de 50 anos no Brasil. Anchieta chegou em 1553 e elaborou um dicionário guarani. Ou seja, quando os espanhóis chegaram, já tinham gramáticas e dicionários guaranis.

Padre Jesuíta José de Anchieta
Padre Jesuíta José de Anchieta

Os jesuítas queriam o contato com os índios na floresta. Os do planalto eram violentos (kaingang). Assim, trouxeram o gado da Europa. Ele reproduziu-se livre no pampa. Era uma estratégia para "cristianizar" o índio.

Para isso, era necessário torná-lo sedentário. Assim, o guarani trocou a floresta pelo campo. Deixou de ser um caçador nômade. E envolveu-se com o rebanho e agricultura ("cultura de campo aberto").

Porém, isso gerou conflitos. Guarani significa "guerreiro", em guarani. Portanto, querer transformar o índio em camponês era uma ofensa. O homem era caçador. E a mulher, coletora e plantadora.

Os guaranis conheciam lugares com boas vertentes. E os jesuítas trouxeram a técnica de perfuração de poços. Também trouxeram a escada e o machado. E o cachorro era outro animal que não havia na América.

Os guaranis adotaram a boleadeira, típica de charruas e minuanos. Na verdade, ela já servia como instrumento de caça, há 6.000 anos na Patagônia. E há pelo menos 4.000 anos apareceu no atual território do RS.

Após descobrirem a erva mate, exportavam-na a Assunção e Buenos Aires. E as índias do cotiguaçu eram famosas pela alta qualidade do algodão que produziam.

O padre Anton Von Sepp foi menino cantor de Viena. E ficou responsável por São João Batista. Usou a pedra itacuru na metalurgia. Logo o jesuíta ganhou a fama de "mágico poderoso". E fez o índios pularem do neolítico para a idade dos metais.

A outra "mágica" era a arquitetura urbana de barro e pedra. E com esta técnica, Sepp construiu o tambo. Hospedaria para os europeus que chegavam. Os doentes ficavam de quarentena. Isso evitava a contaminação dos índios.

Na Biblioteca Nacional de Paris, há uma mapa da redução de São Batista. Ao invadir a Espanha, Napoleão fez uma lista de obras a confiscar. A ideia era criar um museu. E o museu napoleônico deu origem ao Louvre.

Roque Gonzalez impressionou-se com a aceitação guarani. Era filho de mãe guarani e pai espanhol. Os jesuítas germânicos eram mais intransigentes. Já os latinos, por sua vez, aceitavam melhor as diferenças culturas.

E eram diversas, é claro. Após três gerações de jesuítas, eles não conseguiram mudar a poligamia dos caciques. Por ter muitas mulheres, um cacique dava muitos presentes (artesanatos). Assim, a tribo via-o como "um bom homem".

Os guaranis isolavam-se em casas (ocas). E os casamentos não podiam ocorrer entre os membros da mesma casa. Nas missões jesuítas, as casas deixaram de ser elípticas. E passaram a ser retangulares.

Os guaranis chamavam os padres de abarés ("homem que não gosta de mulher"). Tal comportamento causava estranheza. O cacique oferecia mulheres aos jesuítas e estes as recusavam. Aquilo, para o cacique, era uma ofensa.

A religião, enfim, era uma fonte eterna de divergências. Os guaranis acreditavam que chegariam ao paraíso caminhando. Para os jesuítas, só se alcança o paraíso após a morte. Algo incocebível para os índios...

Assim, os grandes movimentos populacionais geram tensão, depois síntese. O gaúcho é um tipo novo. Tem um pouco de europeu. Outro tanto de guarani. Alguns traços de charrua. O europeu tomava banho 1x/mês. O índio, 5x/dia.

Adaptado da aula “As Missões Jesuíticas Coloniais na Região Platina” e da palestra “Guaranização e Europização nas Missões Jesuítas do Rio da Prata”, do Historiador e Professor Arno Kern.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Os Padres Jesuítas

A Companhia de Jesus lembrava uma multinacional dos tempos atuais. Ela reunia padres alemães, espanhóis, italianos, portugueses.

Santo Inácio de Loyola, Companhia de Jesus
Inácio de Loyola, Companhia de Jesus

A ordem jesuíta nasceu em universidades. Alguns padres faziam doutorado. E tiveram aulas com Erasmo de Roterdã. Era o período do renascimento. E os jesuítas formavam a elite intelectual naquela época.

Ignácio de Loyola pedia aos jesuítas para descreverem a paisagem (fauna, flora). Eles tornaram-se naturalistas, com grande interesse intelectual. E produziram toneladas de documentos nas missões.

Porém, os registros eram seletivos. A cerâmica, por exemplo, era uma tarefa feminina. E os jesuítas não descreviam o trabalho da mulher. Registravam só o que os homens  faziam. Afinal, os homens eram os guerreiros.

Adaptado da aula “As Missões Jesuíticas Coloniais na Região Platina” e da palestra “Guaranização e Europização nas Missões Jesuítas do Rio da Prata”, do Historiador e Professor Arno Kern.
Imagem adaptada de Canção Nova.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Principais Grupos Indígenas Brasileiros

Os guaranis migraram da Amazônia, pelo interior Brasil. Revolucionaram o Rio da Prata. A migração de 4.000 km durou 1.500 anos. A lentidão pode-se dever a guerras. Em média, a cada cinco anos eles mudavam de aldeia.

Grupos Indígenas Brasileiros
Grupos Indígenas Brasileiros

Tais migrações ocorriam pela falta de animais para a caça. E não porque a terra ficava improdutiva. Assim, nestas migrações, a população aumentava. Pois um grupo ficava e o outro se deslocava.

Não havia animais que viviam em bandos. Eles eram selvagens. Exceto, as vicunhas e guanacos, que formavam rebanhos nos Andes. E os índios que habitaram esta região conseguiram domesticar tais animais.

Outra migração importante foi a do grupo tupi, pelo litoral brasileiro. Havia guaranis e tupinambás, em São Paulo. A mesma língua, com umas poucas variações. Há ainda um grupo amazônico que atacou o império inca.

Lagoas litorâneas surgiram com o recuo do oceano. O Atlântico antes vinha até Porto Alegre. As grandes lagoas e florestas eram os ambientes ideais para a subsistência. O planalto era frio. E o pampa não tinha florestas.


Os Grupos Indígenas

Charruas e minuanos eram caçadores e coletores. E os conflitos dos guaranis com eles foi intenso. Os guaranis eram antropofágicos. E comiam o melhor guerreiro da tribo adversária. Isso provocou temor entre os conquistadores europeus.

Os guaranis espantavam-se com os europeus. E para eles, navios eram inconcebíveis. Eram ilhas de madeira que se moviam no mar. Para isso era preciso ser um xamã muito poderoso. E eles comiam os europeus para "adquirir esses poderes".

Solis, conquistador espanhol, foi uma das vítimas dos guaranis.

Adaptado da aula “As Missões Jesuíticas Coloniais na Região Platina” e da palestra “Guaranização e Europização nas Missões Jesuítas do Rio da Prata”, do Historiador e Professor Arno Kern.
Imagem adaptada de Fatos e Notícias.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Indígenas na América Latina

Na América, vemos dois grandes centros de transformação: a Amazônia e o México. A herança indígena no México é vasta. No Brasil, há dois processos:
1. Guaranização - índios vindos do Amazonas, com farmacopeia de folhas...
2. Europeização - jesuítas adotaram, em parte, a farmacopeia indígena.

Índios Apiaka no Rio Arinos em Mato Grosso
Índios Apiaka no Rio Arinos em Mato Grosso

E assim, temos, no Brasil, a fronteira nítida entre as coroas Espanhola e Portuguesa. Há, contudo, outra fronteira, entre o guarani e o europeu. A primeira civilização vivia no Neolítico. A segunda, no período Moderno.

Para historiadores, com a invenção da escrita na Mesopotâmia acabou a pré-história e iniciou a história. Eles consideraram 23 povos que desenvolveram a escrita. Porém, ignoraram cerca de 600 povos ágrafos.

Adaptado da aula “As Missões Jesuíticas Coloniais na Região Platina” e da palestra “Guaranização e Europização nas Missões Jesuítas do Rio da Prata”, do Historiador e Professor Arno Kern.
Imagem adaptada de Ensinar História.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Guerra das Laranjas e Imigrantes

Pequeno conflito entre Portugal e Espanha. Dois guerrilheiros portugueses que falavam guarani aproveitaram-se do episódio. Fizeram acordos com caciques. E assim, tomaram a fronteira oeste. Isto praticamente dobrou o tamanho do RS. Incorporaram-se, também, cerca de 20 mil índios.

Guerra das Laranjas (Portugal x Espanha) (1801)
Guerra das Laranjas (1801)

Dividiram-se as terras em sesmarias, que ficaram com os militares. Surgiram latifúndios - muita terra em mãos de poucas pessoas. Nos EUA, o governo cedeu pequenos lotes de terra durante a expansão para o oeste.

Quando chegaram os imigrantes, eles não receberam os latifúndios. Estes seguiram na mão dos portugueses. Os alemães ainda ficaram em regiões próximas a Porto Alegre. O destino dos italianos foi a serra. Caxias do Sul era conhecida como Campos dos Bugres - uma área indígena.

Adaptado da palestra "Cenário de Fronteira Viva", do Professor Fábio Kühn.
Imagem adaptada de Slide Share.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Revanche Espanhola

Doze mil homens vieram da Espanha. E primeiro, atacaram Desterro. No dia do ataque a Rio Grande, formou-se intensa neblina. E os espanhóis não conseguiram progredir na barra de Rio Grande. Porém, avançaram e destruíram Colônia de Sacramento.

Bandeira da Espanha
Bandeira da Espanha


Tratado de Santo Ildefonso (1777)
Através deste tratado, os portugueses retomam Santa Catarina e Rio Grande. E ficam sem as Missões.

Em 1778, assina-se novo Tratado de El Pardo. E Portugal cede duas ilhas africanas à Espanha: Ano Bom e Fernando Pó.

Adaptado da palestra "Cenário de Fronteira Viva", do Professor Fábio Kühn.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Invasão de Rio Grande

Em 1760, 58% da população era escrava. E o tráfico seguia intenso em Colônia de Sacramento. Em 1762, os espanhóis tomaram o povoado. Em 1763, invadiram a cidade de Rio Grande, capital da Província de São Pedro.

Planta do Forte Jesus-Maria-José em Rio Grande
Planta do Forte Jesus-Maria-José em Rio Grande


Invasão de Rio Grande (1763)
Inicia com a tomada dos fortes de Santa Tereza e São Miguel, fortalezas portuguesas no Uruguai, em 1762. A ideia dos espanhóis era chegar a Viamão.

A invasão foi um grande fiasco para Portugal. Cerca de 90% da população fugiu de Rio Grande. Os destinos: Viamão, Santo Amaro e Rio Pardo.

Inácio Elói Madureira, governador da Província, também fugiu. E outro governante foi executado em Portugal por traição.

A capital foi para Viamão. José Marcelino de Figueiredo tomou medidas defensivas. E a transferiu para Porto Alegre, um local estratégico.

Os espanhóis ocuparam o Rio Grande do Sul por treze anos. Em 1767, os portugueses tentaram retomar Rio Grande. Conseguiram retomar São José do Norte.

Em 1773, há uma tentativa de ataque a Rio Pardo. No ano seguinte, ocorre o ataque ao Forte de Santa Tecla. Um forte espanhol no RS.

Portugal fez um esforço imenso para expulsar os espanhóis do RS. O exército tinha só 714 homens. E a maioria dos combatentes era civil.

No Combate de Tabatingaí, viu-se a "estratégia fabiana", guerrilha de ataques rápidos.

Rafael Pinto Bandeira, o homem mais rico do RS no século XVIII, era líder de milícias. E  atacou os fortes espanhóis de São Martinho (1775) e Santa Tecla (1776). Bandeira foi uma das pessoas que mais faturou com a guerra.


Retomada de Rio Grande (1776)
João Henrique Böhm, mercenário austríaco, liderou exército de 4.000 homens em São José do Norte. Dali, partiu um ataque com jangadas em direção a Rio Grande.

Adaptado da palestra "Cenário de Fronteira Viva", do Professor Fábio Kühn.
Imagem adaptada de Turma 41 2016.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Tratado de Madrid e Guerra Guaranítica

O Tratado de Madrid (1750) representou a troca da Colônia de Sacramento pelos povos das missões orientais do Rio Uruguai. O Tratado de Madrid defendia o princípio do Uti possidetis. Ou seja, quem usa tem a posse.

Sepé Tiaraju e a Guerra Guaranítica (Grupo Escolar)
Sepé Tiaraju e a Guerra Guaranítica

Os portugueses pregavam as fronteiras naturais (rios). E não respeitavam. Ficaram com a Amazônia, o Mato Grosso e o Rio Grande de São Pedro. E a comunicação fluvial com o Grão Pará e o Maranhão.

Gomes Freire de Andrade, Conde de Bobadela, passou dez anos no RS. Ele colocou os marcos de pedra na região de Castilhos Grande. Hoje, Punta del Diablo, Uruguai. Eram os marcos de fronteira do Tratado de Madrid.

Guerra Guaranítica
Os jesuítas eram uma ameaça econômica. Os espanhóis expulsaram-nos e puseram no lugar administradores militares.

Espanhóis e portugueses uniram-se contra os índios. Estes passam a escrever cartas. E reivindicar a posse das terras.

Na Batalha de Caiboaté, em fevereiro de 1756, morreram cerca de 1500 índios.

Os índios fizeram espanhóis e portugueses recuarem. E as missões persistiram por um século a mais.

Os portugueses não conseguiram tomar posse das Missões. E também não entregaram prontamente Colônia de Sacramento. "Fizeram-se de loucos"...

Tratado de El Pardo (1761)
Admite o fracasso do Tratado de Madrid. Num período de grande conflito. Com guerras que duraram 15 anos.

Adaptado da palestra "Cenário de Fronteira Viva", do Professor Fábio Kühn.
Imagem adaptada de Grupo Escolar.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Fundação de Rio Grande

Rio Grande não surgiu somente para dar apoio à Colônia de Sacramento. O projeto era anterior ao cerco à Colônia. E a ideia original era ocupar Montevidéu.

Fundação da Cidade de Rio Grande, Aldo Locatelli - Palácio Piratini, Porto Alegre
Fundação da Cidade de Rio Grande, Aldo Locatelli

José da Silva Pais era governador do Rio de Janeiro. E chegou com um expedição, em 1737. Fundou Rio Grande e tornou-se o primeiro governador da província.

O local era uma região de disputa. E assim, a construção da fortaleza e a colonização eram estratégicas. Trouxeram mulheres para diminuir os conflitos locais.

De freguesia, Rio Grande tornou-se vila, em 1747. Apesar de o interesse não ser esse, pelo alto custo político. Afinal, a vila deveria ter uma Câmara.

Na época, quase 50% da população era negra. Hoje, os negros correspondem a cerca de 15% da população do Rio Grande do Sul.

Adaptado da palestra "Cenário de Fronteira Viva", do Professor Fábio Kühn.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Surgimento e Evolução da AIDS no RS

Em 2016, no Dia Mundial de Luta contra AIDS, publiquei artigo que relembrava famosas vítimas da doença. Este ano, registro parte da história da AIDS no Brasil. E em especial, no estado do Rio Grande do Sul.

Dia Mundial de Luta contra AIDS
Dia Mundial de Luta contra AIDS

Este artigo é uma adaptação de palestra homônima do professor Jair Ferreira. Titular de Epidemiologia da UFRGS. E segue a cronologia de eventos que se relacionam ao controle de DST e, posteriormente, da AIDS, no RS.

1920 - O programa “Saúde nas Fronteiras” inicia o controle de DST no RS.

1944 - Surgem as primeiras normas técnicas relativas ao controle de DST.

1972 - As unidades de saúde passam a notificar DST.

1979 - Surgem os programas educativos. Com fotos de casos da enfermaria 5, da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Foi a primeira campanha com imagens explícitas. No mesmo ano, lançaram “Amor sem Dor”. Filme em Super-8, que Moacyr Scliar revisou o texto.


Picos de Gonorreia nos EUA
Os dados apontam os momentos históricos em que se observaram ambientes propícios à disseminação de DST. Após a Segunda Guerra Mundial, houve um pico de gonorreia. Nos anos 1960 e 1970, houve outro.

Pode-se relacionar este segundo pico ao advento da pílula anticoncepcional. À difusão de meios de comunicação. Ao crescimento de cidades. Enfim, este era o ambiente favorável à disseminação da AIDS.

A introdução do vírus HIV ocorreu por volta de 1970. E a provável entrada foi o Haiti, um paraíso de homossexuais norteamericanos. Por volta de 1978, o HIV disseminou-se. Nos anos 90, o medo da AIDS levou a uma queda da gonorreia…


A AIDS no Brasil e no RS
A primeira notificação no Brasil, ocorreu em São Paulo, em 1982. Posteriormente, houve o registro retrospectivo de um caso de AIDS, no Rio de Janeiro, em 1980. No Rio Grande do Sul, a primeira notificação ocorreu em 30/12/1983.

Na ocasião, faleceu um homem no Hospital Vila Nova, em Porto Alegre. Com indícios que apontavam a AIDS como causa. Mas havia um paciente ainda vivo no Hospital Partenon. E este caso vazou na mídia no início de 1984.

Tudo, na época, sugeria um vírus. O comportamento da doença é similar ao da hepatite. Homessexuais e usuários de drogas injetáveis compunham o grupo de risco. A suspeita confirmou-se com a descoberta do vírus no Laboratório Pasteur.


1984 - Adota-se a ficha de notificação de São Paulo, que já tinha dezenas de casos.

1985 - Carlos Gerbase, irmão do médico Antônio Gerbase, dirige o filme “A Roleta”. No mesmo, introduzem-se os primeiros testes. Com predomínio de casos em hemofílicos.

1986 - O médico Matias Kronfeld inaugura o primeiro serviço especializado. Ele ficava no 6o andar sul do HCPA. Na época, os paciente morriam em menos de um ano.

1987 - O RS é o primeiro estado a estabelecer por lei o teste em doadores de sangue. A lista de sangue contaminado, para outras doenças, já havia desde 1977. Em 1987, surge o AZT, inibidor da transcriptase reversa. E a atriz Irene Ravache participa de campanha pela uso de preservativo.

1988 - Inaugura-se o Centro de Orientação e Apoio Sorológico, pioneiro no Brasil. E o 1o de dezembro torna-se o Dia Mundial de Luta contra a AIDS. No RS, há um paciente vivo com diagnóstico de HIV em janeiro de 1988. Mas o período de 1988 a 1995, destacou-se pela morte de famosos e pelos filmes, como “Filadélfia”.

1989 - Surge o GAPA (Grupo de Apoio e Prevenção da AIDS), parceria com o governo do estado do Rio Grande do Sul.

1994 - Empréstimo do Banco Mundial.

1996 - No Congresso Mundial de AIDS, em Vancouver, Canadá, divulga-se o “coquetel”. Os pesquisadores interromperam o estudo. Afinal, em um grupo as pessoas morriam e, no outro, sobreviviam. Em 13/11/1996, o governo brasileiro contraria a OMS. E passa a oferecer o “coquetel”. O resultado foi tremendo.


O HIV no RS
Hoje, observamos uma queda na letalidade e na transmissão vertical. Esta, no início, era de 30%. No momento, quase zerou. Porém, não houve queda de incidência dos casos de HIV. E a prevalência aumentou.

O RS é o estado com maior incidência de HIV. E as cidades com maior incidência de HIV no Brasil são Porto Alegre, Alvorada e Rio Grande. Há duas razões: maior penetração do vírus C (mais infectivo). E entrada tardia do crack.

 
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